• 05/02/2014
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Primal Fear: “16.6” (2009).

Primal Fear “16.6 Before the Devil Knows You’re Dead” (Frontiers-Laser Company/2009): neste momento, o alemão Primal Fear já se vê em tour divulgando seu novo álbum “Delivering The Black”, que acabou de sair no mercado internacional. Liderado pelo vocalista Ralf Scheepers (ex-Gamma Ray e Tyran Pace) e pelo baixista/ vocalista Mat Sinner (Sinner), o Primal Fear re-encontrou-se neste “16.6 Before the Devil Knows You’re Dead” lançado em 2009. A banda surgiu no fim dos anos 90, após Ralf Scheepers quase ter desistido de dar prosseguimento a sua carreira. Ralf abandonou amigavelmente o Gamma Ray de Kai Hansen, quando foi cotado para substituir Rob Halford no britânico Judas Priest, por volta de 1994.

O Priest selecionou Tim “Ripper” Owens e Ralf acabou aceitando uma proposta de Mat Sinner de montar uma nova banda, a qual teria oportunidade na gravadora alemã Nuclear Blast. Mat, que trabalhava no departamento de recursos humanos da própria gravadora, conseguiu um bom respaldo para o Primal Fear, sendo que a banda respondia pela “seção power metal” do cast da Nuclear Blast. Nos primeiros anos, o Primal Fear sofria inevitáveis comparações com o Judas Priest, que alguns momentos eram mais positivas do que negativas. Em “Nuclear Fire” (2001) a banda encontrou uma identidade própria que se expandiria no pesado “Black Sun” (2002). A partir do ótimo “Devil’s Ground” (2004) a banda passou a contar com o baterista canadense Randy Black, ex-Annihilator e faria possivelmente seu grande álbum em “Seven Seals”, de 2006.

Wolter, Sinner, Scheepers, Karlsson e Black. (Foto: divulgação)

Após problemas com o guitarrista Stefan Liebing por volta de 2007, a banda lançou “New Religion”, seu primeiro trabalho após findado vinculo com a Nuclear Blast. Naquela gravadora o Primal Fear perdeu espaço, uma vez que o selo contratou o também alemão Edguy e pouco depois deu suporte ao retorno da veterana lenda germânica Accept. Em seus primeiros anos, na Alemanha, o Primal Fear não apenas reuniu em torno de si fãs do Priest mas também fãs abandondos pelo Accept. “New Religion”, considerado um dos álbuns mais fracos da carreira do Primal Fear, saiu pela Frontiers Records, gravadora que abriga a banda até o momento. Liebing saiu do line up, na sequencia.

16.6.

O momento inicial da atual fase do Primal Fear se dá em “16.6 Before The Devil Knows You’re Dead”. O line up se re-estabelecia com Ralf, Mat, Randy, o guitarrista Henny Wolter e o novo segundo guitarrista sueco Magnus Karlsson, que também assumiu os teclados. A introdução faixa-título leva o ouvinte diretamente a “Riding The Eagle”, uma faixa típicamente Primal Fear, onde a letra cita a águia metálica e mascote Chainbraker. As guitarras pesadas comungam de forma harmônica com a voz impressionante de Ralf Scheepers, que destila um refrão emocionante. Logo depois temos a poderosa e cadênciada “Six Times Dead (16.6)” dotada de um refrão marcante.

Belos arranjos orientais adornam a ousada “Black Rain” onde Ralf Scheepers dá um show de interpretação, numa espécie de balada épica. “Under the Radar” vem na sequência mostrando-se um tema forte seguindo-se com “5.0/Torn”, a moderna “Soar” além da cadênciada e “maligna” “Killbound”. Um clima épico ressoa novamente na fantástica “No Smoke Without Fire”.

A durona “Smith and Wesson” expressa uma letra vingativa onde Ralf Scheepers jura caçar um sujeito, gravando o nome do mesmo na bala de sua pistola Smith and Wesson. Musicalmente em “Smith and Wesson”, Scheepers explora o “estilo Painkiller” de cantar, inventado por Rob Halford, a canção é inciada por um grande riff e também trás belos momentos em twin guitars da dupla Henny/Magnus. O desfecho se dá com a semi-acustica “Hands of Time” onde Magnus, Mat e Henny assumem os vocais em conjunto com Ralf. A edição brasileira trazia ainda duas faixas bonus e o vídeo de divulgação de “Six Times Dead”.

Uma banda vencedora.

O Primal Fear mostra que é possível uma banda de metal amadurecer sem recorrer a clichês do gênero sejam eles, arranjos orquestrados e climas medievais ou letras fantasiosas imbecís. O sueco Hammerfall que dividia as atenções da Nuclear Blast com Primal Fear no fim dos anos 90, entrou em “estado de hibernação” por ter se apegado demais aos citados clichês. As idéias esgotaram e o Hammerfall talvez já tenha se tornado uma paródia de si mesmo, a tempos.

O Edguy talvez venda mais discos que o Primal Fear além de ser o grande nome do mainstream metal alemão. Porém em termos de peso e riffs, o Primal Fear dá de goleada. Temos todo respeito do mundo por Tobias Sammett, mas compará-lo com Ralf Scheepers, uma voz pioneira do metal alemão, é covardia. Para o Primal Fear é possível ser durão e intimidador, sem ser ridículo como o Manowar.

Após “16.6” o Primal Fear lançou o registro audiovisual “Live in The USA” (2011) além do bom “Unbreakeable” de 2012. O sucessor deste último álbum de estúdio é o citado “Delivering The Black” recém-lançado na Europa. O novo trabalho do Primal Fear já está tendo grande repercussão comercial na Alemanha.

Para ler sobre o primeiro álbum do Primal Fear, auto-intitulado clique aqui!

Veja o vídeo de “Six Times Dead”:

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