• 01/10/2013
  • Kazuo
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“Sepultura – Toda a história” de Andre Barcinski e Silvio Gomes.

Andre Barcinski e Silvio Gomes “Sepultura – Toda a história” (ed. 34/1999): o Sepultura lançava “Against” em 1998, com Derrick Green ocupando a lacuna deixada pelo membro fundador Max Cavalera. A separação ocorrida por divergencias administrativas havia acontecido há cerca de um ano. O jornalista da Folha de São Paulo Andre Barcinski em parceria com Silvio “Bibica” Gomes, uma espécie de “quinto membro” do Sepultura, traziam “Sepultura – Toda a história”. Apesar de não ter tido a aura de “biografia oficial”, a editora 34 disponibilizava o histórico mais completo do Sepultura, até então. Silvio Gomes era testemunha ocular dos primeiros dias da banda em Belo Horizonte (MG), e só nunca foi efetivado no line up por não saber tocar instrumento algum.

O início do livro evoca alguns momentos impactantes, como o falecimento de Graziano Cavalera, nos braços dos pequenos Massimiliano “Max” e Igor; vítima de um ataque cardíaco fulminante. A morte do esposo de Vania Cavalera, que trabalhava no consulado italiano do Brasil, trouxe problemas financeiros. Vania tinha três filhos para criar (Max e Igor tem uma irmã). A carreira musical parecia o único caminho para se ter algum futuro, naquela Belo Horizonte (MG) de um Brasil que acabava de sair da ditatura militar, no inicio da década de 80. O Sepultura foi a saga dos dois filhos de dona Vânia, num filme merecido que ainda não foi produzido.

A cena mineira de Overdose, Sarcófafo entre outras bandas míticas do metal nacional é recordada. Bem como a relação dos headbangers mineiros com a loja e gravadora Cogumelo Records. A Cogumelo, que ainda persiste, lançou o primeiro split/EP, cujo vinil trazia “Século XX” do Overdose de um lado, e o lendário “Bestial Devastation” do Sepultura de outro. O ano era de 1985 e o Sepultura era formado por Max “Posessed” (guitarra/voz), Igor “Skullcrusher” (bateria), Jairo “Tormentor” (guitarra) e Paulo “Destructor” (baixo).

“Sepultura – Toda a História” é um relato da cena metal da década de 80, sua dificuldade em encontrar material, e seus colecionadores-trocadores de fitas cassete. Se discos eram impossíveis de serem encontrados, que diria o jovem Igor Cavalera que não tinha um drumkit e se virava com um “tarol e um repinique sustentado num tripé de samambaia”. Instrumentos de qualidade também eram raros no Brasil daquela época. O decorrer da carreira com a chegada de Andreas Kisser para “Schizophrenia” de 1987, passando pela descoberta da aclamação no underground da cena mundial, são devidamente registrados, até os anos “Roots” (1996). O capítulo final ainda descreve a chegada de Derrick Green e o lançamento de “Against” (1998). Isso incluindo-se fotos raríssimas.

Esta obra merecia um trabalho de relançamento e até reatualização. Quanto aos seus autores, Silvio Gomes já não trabalha mais como roadie do Sepultura. O jornalista André Barcinski, por sua vez, está trabalhando numa obra sobre a vida de João Gordo, do Ratos de Porão. Gordo, que também é um importânte personagem em “Sepultura – Toda a História”.

Capa da recém-lançada autobiografia de Max Cavalera.

Neste momento, Max Cavalera já tem disponível sua autobiografia circulando em versão nacional. Ao contrário da informação que se tinha “My Bloody Roots” saiu pela Agir e não pela Ediouro, como se noticiou a alguns meses atrás. O Sepultura também anunciou que lançará ainda em 2013, uma obra biográfica intitulada “Relentless – The Book of Sepultura”, escrita pelo norte-americano Jason Korolenko.

Ilustração oficial de divulgação do livro sobre o Sepultura escrito por Jason Korolenko.

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