• 01/10/2013
  • Kazuo
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Sepultura: “Against”, há 15 anos!

Sepultura “Against” (Roadrunner/1998): em 1997, Max Cavalera saía do Sepultura que vivia um grande momento, tanto em termos artísticos como em termos comerciais. Max acompanhava a esposa Gloria, então empresária do conjunto, demitida pelos outros integrantes Andreas Kisser (guitarra), Iggor Cavalera (bateria) e Paulo Xisto Jr. (baixo). A causa era uma suposta maior exposição dada a Max, em detrimento dos outros integrantes. Max fundou o Soulfly e Gloria obteve garantia de respado da gravadora Roadrunner para a nova investida do marido. Na realidade, Max consequentemente, se livrou do péssimo contrato que vigorava para o Sepultura desde “Beneath The Remains” (1989), o qual previa que a gravadora fosse ressarcida no que dizia respeito a adiantamentos de verba para gravação e aluguél de estudios.

Iggor, Paulo, Derrick e Andreas: Sepultura 1997 – 2006.

O Sepultura seguiu em frente e só foi se livrar deste citado contrato em 2001 ao entregar “Nation” para a gravadora, o último disco previsto no acordo. Andreas, Iggor e Paulo voltaram a residir no Brasil. Houve um certo silêncio até 1998, período em que a banda se reestruturou e procurou por um novo vocalista. Os rumores eram vários, incluindo aquele que dizia que Andreas assumiria os vocais. Testes neste sentido aconteceram, porém em vão. Com o lançamento de “Against” no início de outubro de 1998, todos os bastidores deste periodo incerto vieram a tona.

Em entrevista para a revista Rock Brigade na época, relatou-se inclusive uma abordagem de Supla, que realmente procurou a banda e obviamente foi recusado. Dentre vocalistas famosos no metal, apenas Chuck Billy do Testament foi testado, num período em que a banda da Bay Area valia-se de influências death metal no álbum “Demonic” (1997). O Sepultura havia escrito a instrumental da faixa “Choke”. Cada vocalista testado recebia a fita para escrever as letras e gravar o vocal. A escolha caiu sobre um ilustre desconhecido, o norte-americano Derrick Green, natural de Ohio; e que já havia cantado em bandas de hardcore, chamadas Outface e Overfiend. Na época, Derrick trabalhava como guarda-costas em casas noturnas de Nova York.

Against.

“Against” era um álbum sombrio e compreensivelmente diversificado. Era natural que o Sepultura fosse buscar um novo direcionamento. Mas experiencias sonoras com partes percussivas ressurgiam, com Iggor trazendo o grupo japonês de tambores taikô, Kodo. Participações especiais também aconteceram com Jason Newsted (baixo, na época ainda no Metallica), do velho amigo João Gordo (Ratos de Porão) e do antigo colaborador, o cineasta José Mojica Marins (ou Zé do Caixão). O tracklist abria com uma poderosa e hoje esquecida faixa-título. “Against” era um atropelo curto e vigoroso, reivindicando as influências hardcore que o Sepultura sempre teve, sobretudo, expressas em “Chaos AD” (1993).

Logo depois tinha-se a pesada e arrastada “Choke”, previamente divulgada num single especial encartado na revista Trip. Tratava-se de um período anterior ao mp3 e os vazamentos de segredos de estúdios ainda eram restritos. Tinha-se ainda a esquisita “Rumors” cujas letras refletiam os “rumores” acerca da separação e na qual, Derrick explorava vocalizações diferenciadas. A vigorosa “Old Earth” também era destaque. “Reza” tinha sua letra em português vociferada por João Gordo, que utilizou-se do verídico expediente da boca cheia de bolo Pullman, para tornar os vocais mais ininteligiveis.

Veja o Sepultura com João Gordo apresentando “Reza” no dvd “Live in São Paulo”:

“Kamaitachi” era a instrumental feita em parceria com o grupo japonês Kodo. Em tese, a forma como o Sepultura se utiliza do grupo francês Les Tambours du Bronx atualmente, não é exatamente algo novo na carreira. “Hatred Aside” elucidava a vocação thrash metal do Sepultura, com Jason Newsted na segunda guitarra, além de dividir os vocais com Derrick. A versão brasileira trazia duas bonus, “Gene Machine/Don’t Bother Me” cover do Bad Brains, banda punk formada por negros, e que enfatizava uma das influências do afro-descendente Derrick Green. Além do monólogo “Prenúncio” declamado por Zé do Caixão sobre um instrumental tocado pelo Sepultura. A produção ficou por conta de Howard Benson (Motörhead, Bodycount).

O retorno oficial do Sepultura ao Brasil e apresentação oficial de Derrick Green se deram com o evento “Barulho Contra a Fome”, ocorrido no Anhembi, em São Paulo/SP onde os fãs trocavam um quilo de alimento mais dez reais, pela entrada da apresentação. O alimento arrecadado foi enviado para necessitados no nordeste. Mike Patton (Faith No More) e Zé do Caixão compareceram como convidados. Na mesma época, pouco depois do lançamento do álbum, o Sepultura participou do VMB da MTV Brasil com Jason Newsted (que também esteve no Anhembi), na segunda guitarra. “Against” foi lançado a 3 de outubro de 1998.

Veja o vídeo de divulgação de “Choke”:

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