• 07/08/2013
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Temporada 2013/2014 (Itália): o que esperar do Milan?

A temporada 2012/2013 começou de forma traumática para a torcida do Milan, que viu o início de uma forçada reformulação no elenco. Tudo começou com a venda em conjunto de Ibrahimović e Thiago Silva para o PSG, visando uma economia no que dizia respeito ao que o clube gastava pagando os vencimentos de ambos. A partir de então estabeleceu-se um piso salárial que chegava a 4 milhões de Euros anuais. No elenco apenas Robinho, Prince Boateng, Méxes e Pato recebiam esse valor. Sozinho Ibrahimović levava quase 10 milhões.

Trata-se de um Milan em meio a crise do futebol italiano somado a derrocada política de Silvio Berlusconi, seu proprietário. O primeiro turno da última temporada se arrastou, com o técnico Massimiliano Allegri sofrendo para entrosar um elenco praticamente novo. Pouco antes do natal de 2012, Allegri se via ameaçado de perder o cargo.

O atacante Stepahn El Shaarawy, destaque do Milan em partida pela Audi Cup 2013. (Foto www.acmilan.com).

Iniciando-se 2013, o Milan se desfez de Pato, que se lesionou tão logo a temporada começou mandando-o de volta ao Brasil, para o Corinthians. Allegri no entanto, conseguia estabilizar um novo sistema defensivo, criando soluções para as laterais. O jovem De Sciglio foi efetivado na esquerda e chegou a seleção italiana. Na esquerda, Allegri adequou Kevin Constant, pouco conhecido meia francês. O miolo de zaga parecia o ideal com Méxes e o colombiano Zapata. Seria perfeito se o holandês Nigel De Jong não tivesse se lesionado ainda no primeiro turno, e continuasse atuando postado a frente da linha defensiva. O toque final para o rascunho de um novo Milan, veio com a contratação de Mario Balotelli, que se desentendera mais uma vez com o então técnico do Manchester City, Roberto Mancini.

Com Balotelli, gols tirados do nada passaram a surgir em partidas dificeis. Por ter sido inscrito pelo City, o atacante viu das tribunas a eliminação do Milan na Champions League, para o Barcelona. Uma surpreendente vitória por 2×0 em San Siro e um esmagador 4×0 imposto pelos catalães na partida de volta, em Barcelona. Mas havia o necessário para o Milan terminar a Série A em terceiro lugar, apto a disputar a pré-Champions League.

Balotelli mais 10.

Balotelli é o principal homem de ataque da seleção da Itália e Riccardo Montolivo, também titular rossonero, um dos principais homens de meio campo da azzurra. Não parece tão mal. Na Audi Cup, semana passada, Allegri dispôs o zagueiro colombiano Vergara, recém contratado junto com o veterano Cristian Zaccardo no miolo de zaga. Zaccardo chegou ao Milan no começo de 2013 tendo feito parte do grupo tetracampeão italiano na Alemanha em 2006. O zagueiro, ex-Wolfsburg e Palermo poderia ser melhor aproveitado, sendo uma peça razoável, funcional como defense leader, para revezar com Méxes e Zapata. Com certeza, Abate/De Sciglio e Constant serão titulares nas laterais direita e esquerda respectivamente.

Ainda no que diz respeito a citada Audi Cup, o goleiro Amelia (também tetracampeão em 2006 com a Itália) foi visto como títular e o jovem goleiro brasileiro Gabriel esteve em campo. Após a Audi Cup o Milan seguiu para os EUA onde disputou o torneio de pré-temporada, International Champions Cup em Indianápolis, junto a Chelsea, Real Madrid, LA Galaxy, entre outros.

O atacante Mario Balotelli.

Ao que consta, De Jong seguirá a frente da linha defensiva rossonera, num meio campo que pode ter Montolivo, Sulley Muntari, Prince Boateng, o recém contratado Poli (ex-Sampdoria) e ainda Nocerino, se necessário mais um volante de contenção. No ataque, Balotelli e El Shaarawy seguem intocáveis aguardando a volta de Pazzini (lesionado) e tendo ainda Robinho, que renovou seu contrato até 2016 sob condição de redução salarial. É bem provável que o Milan venha a intensificar sua “Balotelli dependência” a partir desta nova temporada. Sem ele, em causa de eventuais lesões ou suspensões, o Milan sofrerá.

Espera-se um amadurecimento de El Shaarawy, já presente na seleção italiana. O próprio treinador da azzurra Cesare Prandelli teria criticado a “cabeça vazia” de “el faraoni”, durante a última Copa das Confederações. O dirigente Adriano Galliani afirma ter recusado ofertas de 30 milhões de Euros por El Shaarawy, especulado no Monaco e no Manchester City.

Tem-se um Milan para seguir brigando por vaga na Champions League na Série A e para se estabelecer apenas como força competitiva que pode avançar ao mata-mata da própria CL. O pior com certeza já passou, mas eis a nova ordem rossonera.

 

(Foto da nossa página inicial em que atlétas do Milan comemoram o gol da vitória de 1×0 sobre o São Paulo na Audi Cup 2013: AFP – Christoph Stache. Disponível em www.gazetaesportiva.net .)

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